terça-feira, 12 de novembro de 2013

Exumação do Jango: apenas peritos, CNV e familiares vão acompanhar o processo

Túmulo foi totalmente encoberto para a exumação
A véspera da exumação do corpo do ex-presidente João Goulart foi cercada de incertezas. A primeira, por parte da imprensa, que até a chegada no local, não tinha a informação de que não teria como fazer imagens do processo. No local, foi confirmado que apenas peritos, familiares e representantes da Comissão Nacional da Verdade terão acesso a exumação.

 A segunda, dos próprios peritos, que ainda discutiam a posição exata de Jango no túmulo da família Goulart, onde além do presidente, outras oito pessoas estão sepultadas. 

Eduardo Belmonte, da Rádio Cultura de São Borja e Elmar Pereira que conviveu com Jango afirmam que o caixão está ao lado direito do jazigo, sendo o segundo de baixo para cima. João Marcelo, neto do ex-presidente disse que o caixão do avô é o segundo de cima para baixo.

No espaço, coberto por panos pretos, apenas os peritos trabalharam nesta manhã. São dez ao total. cinco da Polícia Federal, dois da Argentina, um do Uruguai, um de Cuba e um da Cruz Vermelha Internacional. Eles avaliaram novamente as condições do local e verificaram nos registros do cemitério para buscar uma certeza da localização do caixão. 

Antes das primeiras análises do dia, a imprensa foi recepcionada no hotel onde estão hospedados os peritos para uma breve explicação acerca da exumação. Os questionamentos foram respondidos por Amaury de Souza Junior, perito que coordena a exumação, Nadine Borges, da Comissão Nacional da Verdade e por João Marcelo Vieira Goulart, neto do ex-presidente João Goulart.

Inicialmente, o perito Amaury Junior destacou que existe tecnologia suficiente para que o exame toxicológico aponte, mesmo 37 anos após a morte, se houve ou não um envenenamento. Na oportunidade, para exemplificar a comprovação e eficácia deste tipo de exame o perito citou o caso do poeta chileno Pablo Neruda, que há pouco tempo atrás teve o resultado de sua exumação anunciado, comprovando a morte por câncer e não por envenenamento da ditadura de Pinochet. 


João Marcelo, neto de Jango, falou em nome da família Goulart
Já João Marcelo, que falou em nome da família, disse que este é um momento de muito delicado para eles e sustentou a ideia de que o avô fora assassinado durante a Operação Condor. Ao passo que a família defende a tese de envenenamento, outros contemporâneos de Jango dizem que sua morte foi natural, em decorrência dos problemas cardíacos, conforme aponta seu atestado de óbito. 

Uma audiência pública acontecerá no início da noite desta terça-feira, no CTG Tropilha Crioula, onde os peritos, familiares e ministros explicarão para a comunidade todos os passos da exumação e ainda assinarão um termo de compromisso de que, no dia 6 de dezembro, os restos mortais de Jango retornarão para São Borja e serão recebidos com honras militares. 


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